Com a fraqueza inerte ao osso
Bebo e como e tremoço
Do melhor q'eu já comi
Já que nada somo do poço
E das chagas q'eu sofri?
E eu que serei mais um aqui?
Se das flores q'eu já vi
Só os tornos eu lhes ouço
Nuvem urbe o céu que surge
Nunca amplexo o Universo
XXVI / IV / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 26 de abril de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
TINTASANGUE
Tinta escoa do cérebro até ao pescoço
Do pescoço até ao braço
Do braço até à mão
Da mão até aos dedos
E o cérebro apodrece
E ao braço se lhe tomba
A mão que se decepa ela própria
E os dedos fogem da mesa
Tudo são minhocas que contorcem
ondulam
carecem
Contudo do papel nascem flores
Criadas surgidas do vínculo eterno
Catástrofes de estrofes, amores desamores
Tudo ganha vida na morte
Que a morte fertiliza
Que a morte suaviza
Que a morte tem seus mil anos
Que a morte tem seus mil cantos
Densos-espinhosos como a alma
E o corpo persegue a mão
E mão perde-se na própria palma
Incoerente como a noite que raciona o Sol
E o dia que raciona a noite
Que à proa ostente a sereia embaladora
Que é como uma floresta de mil pomares
Como a cidade e seus mil olhares
Como uma miríade de olhos que escolhemos fechar
Para nos examinar-mos com precisão de cortar à faca
Com a serenidade da escuridão só
Qu'é serenidade de abalar o espírito
Vou-me alimentar do calor de quem passa
Vou suster o mundo pela ponta dos dedos
Que ele não mais me tira a fome
Que ele não mais sucede o vento
sábado, 12 de abril de 2014
POESIA-SENHORA
Poesia-senhora para quem não conhece
Senhora-dada para quem enaltece
Senhora-endiabrada ouve minha prece
Que te pasmes espasmática em noite de
epilépse!
Senhora da Alegria
Da comichão da alergia
Da karmicose e cruave magia
Do reticente Do delinquente
Do morto Do vivo Do frio e Do quente
E o mundo que roda e não se sente!
Porém a todos ela se dá
E em todos ela se sente
Porém ela não é de cá
E ninguém sabe o quanto mente
XII / IV / MMXIV
Grande Carpinteiro do Universo
domingo, 6 de abril de 2014
Crueza Análoga aos ritos da alma
Vai e volta. Pega e solta. Vai e vem. Com e sem. Par de mãe.
Ser aquém. Custo têm. Custo cem. Durmo Cacém. Acordo sem. Retrocelo. Do muro qu’eu
velo. Purfanato. E eu te mato. Durmo casto. Acordo farto. Durmo mato. Não me
cato. Se recato. Burburato. Se fiasco. Oiroasco. E se vê-la. E se vela. Moricela.
Magricela. Chuviato. Solato. Eu nem sei do que eu faço. Eu nem sei do que eu
sou. Eu nem sei do tempo passo. Eu nem sei do tempo grou. Se do grande estardalhaço.
O meu ser se estilhaçou. Que vier o ser q’eu caço. Que me siga púrpuramor. Do
moer qu’eu faça espelho. E não caia em poiço sem fundio. Pode crer q’eu não me
venho. E se me venho viuviu. Do cálice eu empenho. Ou empenhoro no joelho. Emproa
a raça imperfeita. Faz a vida de malafeita. E se torta se endireita. Mula
fria rarefeita. E se morta não se ajeita. Crua suja sarjeta meita. Puro e duro
cru e puro. Nu e furo inseguro. Mastro sobe e corta e morre. Puro milho e juro
e frívolo. Mafia cáspia enverga másfia. Máscara másfia maisfrio maisgelo. Maiskilo
Maiscelo Maiscrilo Maissêlo. Do selo do crêlo do rito du elo. Crueza Análoga
aos ritos da alma. Pura abstração pura tesão. Limão mamão crudão sem mão. Turrita
chama os bombeiros!
VI / IV / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
MONSTRUÁRIO
Esta é uma canção para a crença
Cantem-na suavemente pois a crença é experiente
Cantem-na abruptamente pois a crença é servente
Que a crença tem braços como um corpo gigante
Têm tentáculos como um polvo usurpante
Têm espinhos como um poço sem fundo
São estes os grilhões que sustentam o mundo
São estes os mundos que demos ao mundo
Mil e uma maneiras de suster
Mil e uma maneiras de morrer
Morrer dentro do mundo
Morrer dentro de nós mesmos quando somos o mundo
Que ser humano é ser alienígena
É ver as pirâmides do alto do prisma
É combinar encontro com os olhos
Deixá-los pendurados
Mandar-lhes pedras e fugir-lhes
É subir à montanha
É mergulhar no vulcão
E emergir sem vida
VI / IV / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 5 de abril de 2014
LINGUAGEM & ROUPAGEM
Oh sociedade tã oprimida
Quero saber quem te oprime
Quero ser Eu quem te oprime
O que te oprime mais?
A palavra ou a acentuação?
A acentuação ou a acepção
da palavra?
Venham a mm porque vos quero
acentuar
Quero exaltar vossa mortandade
Dormimos tememos vomitando detergente
Que nos desinfecta o céu à boca
à boca os céus lábios dados co'a morte
Detergentevómito na minha ideia louca
Que Nos ama ou nos mente (?)
QUe Nos ama e nos mente (?)
que cria ou sente (?)
Que cria e sente (?)
No principio era o verbo
E o verbo era viver
E com toudo o verbo verbava
do ferido instinto que capitulava
feroz
e atrás do verbo a palavra salivava
impaciente
Co'a ânsia de ser atropelado
Co'a ânsia em ser esfarrapado
Cavalo negro de corcel endiabrado
galopante esmigalhante de nossos peitos
relinchante fumega como quem cheira
E eu Co'a vontade de tingir roupa
de violinar-lhes a linguagem frouxa
V / IV / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Quero saber quem te oprime
Quero ser Eu quem te oprime
O que te oprime mais?
A palavra ou a acentuação?
A acentuação ou a acepção
da palavra?
Venham a mm porque vos quero
acentuar
Quero exaltar vossa mortandade
Dormimos tememos vomitando detergente
Que nos desinfecta o céu à boca
à boca os céus lábios dados co'a morte
Detergentevómito na minha ideia louca
Que Nos ama ou nos mente (?)
QUe Nos ama e nos mente (?)
que cria ou sente (?)
Que cria e sente (?)
No principio era o verbo
E o verbo era viver
E com toudo o verbo verbava
do ferido instinto que capitulava
feroz
e atrás do verbo a palavra salivava
impaciente
Co'a ânsia de ser atropelado
Co'a ânsia em ser esfarrapado
Cavalo negro de corcel endiabrado
galopante esmigalhante de nossos peitos
relinchante fumega como quem cheira
E eu Co'a vontade de tingir roupa
de violinar-lhes a linguagem frouxa
V / IV / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
quarta-feira, 2 de abril de 2014
APNEIA
Existem comunidades ou comodidades:
Que é mais cómodo falar mas sozinho.
Que é mais cómodo sair mas de fininho.
Que é mais cómodo dormir de joelhos ou até mesmo deitado.
Que mais cómodo é reduzir toda a respiração ao máximo.
Respiro irredutível
Que meu sono é apneia
Meu suspiro é mais gritante
que o canto da sereia
Que humildade têm um caixão
Enterrado com rosas com paixão
Ressuscito bebo a carne em vão
Sabe quemquantas mais me restarão
Divago ao sabor do carrossel
Que centrifuga o nevoeiro
Quem rebola é só a pele
Com que coseram o mundo inteiro
II / IV / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
terça-feira, 1 de abril de 2014
SOU UMA FORMIGA PORRA SOU UMA FORMIGA
Sou tudo se o disserem de mim
Sou tudo sou todo todo até ao fim
Sou cúpula de panteão
Sou calçada de bica
Tenho esta sede de cão
Sou o lobo que s'inabita
Sou cordeiro endiabrado
foge dos becos aos becos à alma
Sou chifrudo sou corcovado
Sinto ser, caminho vago
Distorço vil rumo à desalma
E chifro em-contra-a-carapaça
desalinho cruínho deixo cuspo no vinho
Disterço-me, rio-me, rito-mo
sozinho.
(...)
Mas como se...
Não sou grande...
Não sou grande para a solidão
Não...
foda-se!
Sou desgraça!
Destendo os ombros e a cabeça caí
Parto os dentes e a língua fly-fly
E as mangas eternas...
imaginárias, soltas, rumino, termino
Rumàcidade eu caminho eu sozinho.
e inho e inho. e inho e inho.
Deixo o corpo seguir Seu caminho
e inho e inho. e inho e inho.
A sombra persegue ofegue ou fede
E o corpo persegue o rosto e o rosto persegue o corpo
E o rosto persegue o corpo que persegue o rosto
Da bainha eu desembainho a espada o destino
Do destino eu desembainho as flores o burmoinho
E...
(..)
Sou Eu
Eu...
Sou Eu finalmente quem insurge e desinsurge
Ressurge se o Céu for grande e grande E GRANDE
Oh grande!
Mas como se...
Não sou grande...
Sou uma tremenda formiga
Porra!
Sou uma formiga, outra vez
SOU EU eu eu eu
I / IV / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Não podeis olvidar porém
Obstante sou também o que não dizeis de mim
domingo, 30 de março de 2014
ELA TRAZ A PRIMAVERA (Poema do Amor Raro)
Olhei-lhe bem para dentro dos olhos
E vi os campos
Vi a maravilha
A tempestade
A cidade e as serras
Vi os meus olhos reflectidos nos dela
E a minha alma reflectida no mar que é dela
É tudo dela eu sou todo dela
Senti uma urgência de a agarrar
Para a levar e mostrar-lhe
tudo
quis desabotoar-lhe a blusa
dedilhar-lhe a pele arrepiada
usar tudo o que nela é mortal
cheira tudo tão bem
ah o cheiro tira-me verdadeiramente do sério
como pêssegos que colho e recolho
das florestas mágicas do seu decote
às vezes parece que não consigo aguentar
seu delicioso contorno
encosta-te a mim
usa o meu ombro
deixa-me beijar os teus,
pomares de algodão suave,
que ombreiam olhos meus
quando me sobes à cabeça
bates dura contra os muros da minha existência
deixas-me sedento de ternura
desvairado de desejo
não preciso mais da vida
não preciso mais do sangue
vou sepultar-nos os dois numa cama
e morrer dentro de ti
(...)
sei que és
podes dizer
eu sou
diz-me
eu sou
deixo-te desabrochar mais um pouco
quero ver como és linda
quando trazes a Primavera
para V
XXX / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
quarta-feira, 26 de março de 2014
TEXASPARIS
Purga murta mata
Buga conchar caca
P'ra enfardar a cana ao nariz
Está saber-me mal este Texasparis
Só me apetece fornicar a cozinheira
Untar-lhe a testa com frango seco
Misturar-lhe nitroglicerina no café
Só me apetece estourar o céu à boca
Côrcomer-lhe a voz rouca
Engrudar um pouco a touca
Vou assoar-me vou cuspir os miolos
Vou vomitar-me vou sangrar dos olhos
VOu arregaçar as mangas até aos pêlos oblíquos
Puxar da alva da escarreta popular
E cuspi-la no olho da germokratia
Deixa-me dançar deixa-me voltar
Deixa-me partir deixa-me gritar
Deixa-me rebolar por debaixo da Terra
Até que as pessoas inundem as escadas
Pingue Pongue PANgue
Até lhes picarmos o sangue
Até lhes bebermos o sangue
Sanguegasolina ao clamor da glória
Que banhará esquálida escada em tons de vitória
XV / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
domingo, 23 de março de 2014
SOL & CARNAVAL
Hoje o Sol, ontem o Carnaval
E bailamos como só a escuridão nos permite
ver
Pelos olhos fechados porém furados de um lado ao outro
de um outro lado, de lado algum
E o calor vermelho de nos suar as pálpebras
de sangue
Sangue:
esse cativo que nos cativa
E as lágrimas lacrimejam só elas
por elas próprias, com elas próprias
Lágrima a sequela, lágrima correndêla,
Lacrimeja a alegria que expulsamos porta a porta
borda a borda, lés a lés, dedo a dedo os tremendos pés
como uma pena como uma morte caída por qualquer cousa
ou qualquer lugar a ruminar o amar em desmamar
A lágrima como elemento estrutural de qualquer vida
Lágrima pausa
(...)
Lágrima avança
Mandada ou mandante
Mandatária ou cigana
Ciganamente obscura cataliticamente cigana porém
E o dia vai viajando de mão dada com a hora do precipício
quem somos porém quem é que somos para quem o somos
ou por quem somos nos confins do sonho ou realidade divina
realidade sonhada ou sonho realizado por outralguém
ou está-se bem ou por aquém
E nossos corpos cristalevados salgados à inexistência
salgados da inevitabilidade, atirados ao inevitável
para sentir ou se sentir
sentir como se sentíssemos
esse gigante Adamastor
esse gigantismo puramor
Que a felicidade é afinal não o sentir
É não saber sequer que se existe
terça-feira, 18 de março de 2014
VIVE e DEIXA MORRER (Live & Let Die)
Pança de criança
Barriga de fome
Barqueiro contrabalança
Do que o fígado come
Quero espremer quero abraçar
Quero-te pegar
Quero-te
Largar no inferno
Vem sorver vem sentir
A face enegrecida à treva à noite
Os estigmas esburacando as palmas
Um rodopio frenético de almas
O sangue brotem e sangue serem
Chupar o sangue até os dentes apodrecerem
As garras frias ríspidas malformadas
E os Homens a viver o violento delírio
esquizoides malamados de cinza de pedra
O incisivo dano e o mais profundo corte
Soa tremelicante a latência de morte
E o mamífero sangra até ao útero
Olha só como eles se contorcem
Olha só como tu te contorces
Num ferrugento retinir de carne sobre osso
E escutas agora
Porque antes não podias matar
o bel’cantar aos pássaros
Alegremente engaiolados em uns contra os outros
Em uns sobre os outros em uns dentro dos outros
Sorve o negro sangue ao negro rebanho
Sente a força e a omnipotência
O poder e o equilíbrio
Vive e deixa morrer
Deixa tudo morrer à orla do olhar
XVIII / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Luís Alves Carpinteiro
terça-feira, 11 de março de 2014
CIDADE DO VENTO
A Cidade do Vento caminha
sem perdão
E todos
Mas todos
ressentimos a saliva aos dentes
(...)
É terra de caloteiro é terra de in fusão
Seus Deuses suas folhas esvoaçam sotavento
Seus rostos de deutério quão pesado é o grilhão
Quantos rostos quantos queixos padecem de mim
Quantos condenados o vento poisou aqui
Quantos condenados o vento poisou sem fim
Quantas almas exoneradas de popa e de bikini
Destinadas a rodopiar no mais perpétuo recreio
Exaltar quão belos são os campos de centeio
Antes de nos esbardalharmos contra a sebe do infinito!
Antes de comermos ostras com Maurice Precipíce!
Tareco não sabe dar seja a quem
Tareco não sabe o que há no além
Tareco não fala quantos surdos ele sem
Tareco não conta quantos mundos ele cem
Não venero o alcance da balística do BOOOM!!
Não posso saber o que vai acontecer
Se acender uma cabeceira debaixo di tutti vela
Se deixar meu troppo corpo cair trôpego da janela
XI / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 8 de março de 2014
O poeta não pode ter pontos
O poeta não se pode esconder
Para lá dond' a vista alcança
O poeta não se esconde
Por detrás do podre florir
O poeta não pode descrever
Aquilo que não viu ontem à noite
O poeta não pode descrever
Não pode e ponto.
O poeta não exalta o ego com palavras
Não se ufana, não se ensoberbece
O poeta mastiga a realidade aos sonhos
E cospe massa análoga a carne picada (get my meaning?)
O poeta não é pessoa
O poeta não pode ser pessoa
Que não sabe ser pessoa no meio das pessoas
O poeta não é isto e pouco mais
É positivo e meraltivo
O poeta não é Deus
O poeta nunca foi de deus
...
O poeta tampouco sabe a resposta às suas próprias questões
O poeta não te ensina porra nenhuma e ponto.
VIII / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sexta-feira, 7 de março de 2014
Ode à Perdição das Massas
Parece que alguém me perdeu
Ou Eu próprio me perdi
Ou estarei desencontrado
Tanta descoberta e tudo se perde
Na turbe tão turbilenta!
A alma mutada do excesso e da velocidade
As bochechas ao léu que a anca contrabalança
A multidão e as suas gentes goddamned gente!
Vi minha sombra cessar na sua efemeridade
Eu digo que ninguém traz nada de lado algum
Eu digo que a roda continua a girar perpétuamente
Não! Digo. Nada continua
E a única constante é o tempo
VII / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
quarta-feira, 5 de março de 2014
MEIO-DIA
A minha vida é um filme de cowboys
Meu chispe crestado dos mil sóis
Meus olhos toldados da pouquíssima memória
Firmes, pestanejantes da hora que também nos cavalga
Tremo sobre os tremendos ossos das mãos
Faço a frente aos meus inimigos
Sinto-me engatilhado, prestes a explodir
Fizemos a cama na encruzilhada
Fizemos o dia na encruzilhada
E agora um de nós tem de morrer
A dor de matar é menor que a dor de morrer
O sangue é mais doce que o mel
E na noite que não deixámos morrer calada
Desfazemos a cama e morremos os dois
12:00
V / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 1 de março de 2014
A ESCADA
E o poeta sonhou:
Assim que o Sol nascia
E porque o Sol nascia nas alturas
Eis que a colossal escada era erigida
Para que os anjos dela ascendessem e descendessem
E para que o Senhor se sentasse no topo dela
Com a força dos mil bravos
A escada encavalitava encaracolando as nuvens
O Sol queimava-lhes o fundentro aos olhos
Vazava-lhes a lage púmblea ao suor
Na ausência de outro espaço dentro do espaço
Naquele poço-fornalha os germinara
Deus deu aos filhos a abundância que não se sabe conter
Um coração um só corpo firminabalável contra as trevas
Carburando os corações em chamas dentro deles
O Senhor tocou-os assim cálidos e sorriu
I / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Assim que o Sol nascia
E porque o Sol nascia nas alturas
Eis que a colossal escada era erigida
Para que os anjos dela ascendessem e descendessem
E para que o Senhor se sentasse no topo dela
Com a força dos mil bravos
A escada encavalitava encaracolando as nuvens
O Sol queimava-lhes o fundentro aos olhos
Vazava-lhes a lage púmblea ao suor
Na ausência de outro espaço dentro do espaço
Naquele poço-fornalha os germinara
Deus deu aos filhos a abundância que não se sabe conter
Um coração um só corpo firminabalável contra as trevas
Carburando os corações em chamas dentro deles
O Senhor tocou-os assim cálidos e sorriu
I / III / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
NEGRA HORA
Chegou a negra hora
As setes trompetas celestiais relincham a norte
Será a vida será a morte?
O vento fustigante fumega do nariz de um minotauro
Uma brisa leve tão leve quanto u tempos sobre u tempos
Vem reanimar meus níveos ossos tecidos da saudade
Vem-me cortar vem-me escalar
Cuspir minha alma ao precipício para a cidade a tragar
Vem gangrenar os dedos que te acariciam
Vem chupar as costelas que te sustentam
Serei tudo se me quiserem
Serei a praça embebida em vinho
Serei o melhor que Deus dou
Serei o cigarro com o cimbalino
Serei Calipo serei Epá
Serei o choro de menino
Serei as noites em que o tempo parou
Sou Eu a luz nesta cidade sem-abrigo
Sou Eu o mar que engole Lisboa
XVI / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
As setes trompetas celestiais relincham a norte
Será a vida será a morte?
O vento fustigante fumega do nariz de um minotauro
Uma brisa leve tão leve quanto u tempos sobre u tempos
Vem reanimar meus níveos ossos tecidos da saudade
Vem-me cortar vem-me escalar
Cuspir minha alma ao precipício para a cidade a tragar
Vem gangrenar os dedos que te acariciam
Vem chupar as costelas que te sustentam
Serei tudo se me quiserem
Serei a praça embebida em vinho
Serei o melhor que Deus dou
Serei o cigarro com o cimbalino
Serei Calipo serei Epá
Serei o choro de menino
Serei as noites em que o tempo parou
Sou Eu a luz nesta cidade sem-abrigo
Sou Eu o mar que engole Lisboa
XVI / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Tareco, o Gatito do Infinito (Submerse Universe)
Cambridge cinzenta mas atlética
A fome do parvo é fomentalidade anoréctica
Vamos de canoa até ao fim da noite
Se houver um tipi onde se pernoite
Havemos de sarar estas vis ondas de mar
Se ovos sem leite se o café tem leite
O lince há-de rosnar sem nada mudar
Nas densas matas me encontrei
Nos alter egos de Figo e Jay Jay
Datas por números itálicos eu cambiei
Segredei dos consórcios eu cronicei
Cárceres de mato comícios de prato
Parafraseando rogando por malabares
estrábicos olhares
díspares esgares
nA ordem do caos um pires de leite
Para Tareco o Gato Cósmico alimentar suas buñuelas
Vai no leito rarefeito carcomendo e crescendêlas
Maurice Precipíce o sr. Roubado de Odivelas
Tareco o Gato Epilépte, Tareco o Gatito do Infinito
QUe por via esquálida tinta
cospe o fogo do verse, submerse Universe
XXIV / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
A fome do parvo é fomentalidade anoréctica
Vamos de canoa até ao fim da noite
Se houver um tipi onde se pernoite
Havemos de sarar estas vis ondas de mar
Se ovos sem leite se o café tem leite
O lince há-de rosnar sem nada mudar
Nas densas matas me encontrei
Nos alter egos de Figo e Jay Jay
Datas por números itálicos eu cambiei
Segredei dos consórcios eu cronicei
Cárceres de mato comícios de prato
Parafraseando rogando por malabares
estrábicos olhares
díspares esgares
nA ordem do caos um pires de leite
Para Tareco o Gato Cósmico alimentar suas buñuelas
Vai no leito rarefeito carcomendo e crescendêlas
Maurice Precipíce o sr. Roubado de Odivelas
Tareco o Gato Epilépte, Tareco o Gatito do Infinito
QUe por via esquálida tinta
cospe o fogo do verse, submerse Universe
XXIV / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Royal
Na calçada despejei uma escarra
De amarelo tom e de verde paladar
Se dou por mim a mastigar a Julieta
Minhas mãos fosforescem no ar
Na calçada despejo uma escada
No colarinho uma mancha de vinho
Lá na cave diz que fazem empadas
Para os gordos encherem o focinho
Calma uretra camiseta
giacometti m'Álivia
Me livra da porcaria q'rodopia
Punheta Holandesa à maneta
Morrisete do Maracanã
Queimadura química de hortelã
Bebé chupa da proveta
SAlve-se a Royal gelatine
XXIII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 22 de fevereiro de 2014
WORLD MASSALA
A escuridão encheu a sala
Os rostos dos espectadores análogos a luas flutuantes
Ainda assim não se vê vivalma
Um grilhão em torno de pernas e pescoço
O corpo é a única coisa que nos impede de flutuar
Tenho margaridas a tapar-me a vista
Searas de corpos ou desnudos ou desmembrados
Aldeias, cidades, gente por cima de gente
Mares de braços, praias de pernas
O Mundo dança à roda à roda
Ginga uma dança e África pula
A anca balança e o Japão treme
A América dos verdes dos brancos e dos vermelhos
O Mundo uma panela cheia de odores e possibilidades
O algodão do tempo traz e leva a sabedoria
E a alma vai caindo num poço sem fundo
XXII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Os rostos dos espectadores análogos a luas flutuantes
Ainda assim não se vê vivalma
Um grilhão em torno de pernas e pescoço
O corpo é a única coisa que nos impede de flutuar
Tenho margaridas a tapar-me a vista
Searas de corpos ou desnudos ou desmembrados
Aldeias, cidades, gente por cima de gente
Mares de braços, praias de pernas
O Mundo dança à roda à roda
Ginga uma dança e África pula
A anca balança e o Japão treme
A América dos verdes dos brancos e dos vermelhos
O Mundo uma panela cheia de odores e possibilidades
O algodão do tempo traz e leva a sabedoria
E a alma vai caindo num poço sem fundo
XXII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
IGREJAS DE VIDA
TUdo mudo
Sempre Nada
A alma ou a vida?
ESpreme a empada
Carpa celta moura esbelta
Crua vulupia corpo de polpa
Solta a rola amarela broa
Druída de esquina fruta transpalpina
Gruta onde chutá sopa ampola furatruta
Cospe a cidade ri da maldade vomita estrelas no pull da idade
Floresce cipreste alma ser alma tédio
Mostra o ver sem ceder ao crer do visto feder~
Deixa ser se tiver de ser nunca muros sempre pontes erguer
O que não tocas não destroças nem vais às focas nem deixas mossas
Se eu deixo não dou pretexto nem mais nem menos frio é o beijo
E não te canses porque ao vento estou atento é ele quem me dá alento
Vou-te encontrar vou-te estripar exibir tuas entranhas ao luar
Para que vejas para que não sejas mais um desses nas igrejassssss
Nas Igrejas de vida igrejas fingidas igrejas pop capital acima
XXII / II / MMXIV
Sempre Nada
A alma ou a vida?
ESpreme a empada
Carpa celta moura esbelta
Crua vulupia corpo de polpa
Solta a rola amarela broa
Druída de esquina fruta transpalpina
Gruta onde chutá sopa ampola furatruta
Cospe a cidade ri da maldade vomita estrelas no pull da idade
Floresce cipreste alma ser alma tédio
Mostra o ver sem ceder ao crer do visto feder~
Deixa ser se tiver de ser nunca muros sempre pontes erguer
O que não tocas não destroças nem vais às focas nem deixas mossas
Se eu deixo não dou pretexto nem mais nem menos frio é o beijo
E não te canses porque ao vento estou atento é ele quem me dá alento
Vou-te encontrar vou-te estripar exibir tuas entranhas ao luar
Para que vejas para que não sejas mais um desses nas igrejassssss
Nas Igrejas de vida igrejas fingidas igrejas pop capital acima
XXII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
VERDE NEBLINA (Green Haze)
O vento instigado pela fera
Vai secando as papoulas aos cemitérios
Vai intoxicando em verde neblina
Quem pela giesta foi já era
Quem por seus mil vitupérios
Se entregou à carnificina
Impôs cruel sentença na menina
Embaciada da cauda crível
Sobre o mar gozada despejada
A Alma cede e não se paga
Mar do Ar de me encantar
De bordoada esmagá empada
E se de vil não ceder nada
Bordoada no alguidar
Cult Cop or Cult Pop?
Concertina dos PALOP
Mariquinha di Hip Hop
Escarlatina killed the mob
Nem por um minuto
Pombo frio no cucuruto
Asa leve mas sempre fede
Sapo de ouro ou sapo de couro?
Sempre surpreendente sempre prevísivel
De olhos cegos e sufocar inaudível
O teu bolo não é tesouro
É a bosta de um califa mouro
Embolada num tapete escouro
Racionada por um mercador de esquina
Que nos espera encoberto na verde neblina
XXII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Vai secando as papoulas aos cemitérios
Vai intoxicando em verde neblina
Quem pela giesta foi já era
Quem por seus mil vitupérios
Se entregou à carnificina
Impôs cruel sentença na menina
Embaciada da cauda crível
Sobre o mar gozada despejada
A Alma cede e não se paga
Mar do Ar de me encantar
De bordoada esmagá empada
E se de vil não ceder nada
Bordoada no alguidar
Cult Cop or Cult Pop?
Concertina dos PALOP
Mariquinha di Hip Hop
Escarlatina killed the mob
Nem por um minuto
Pombo frio no cucuruto
Asa leve mas sempre fede
Sapo de ouro ou sapo de couro?
Sempre surpreendente sempre prevísivel
De olhos cegos e sufocar inaudível
O teu bolo não é tesouro
É a bosta de um califa mouro
Embolada num tapete escouro
Racionada por um mercador de esquina
Que nos espera encoberto na verde neblina
XXII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
EU e TU
Meus dedos gordurentos teu cabelo imaculado
Ao percorrê-los em sambá-los olhos meus purgo
De meus vidros sua areia idiossincrasias vagas
Minhas memórias remoídas uma pedra mil calçadas
Como as percorri(?) a gatinhar(?)
Como as percorri(?) sem as gastar(?)
O teu mar sem sarar qualquer coisa de luar
Vem-me amar sem parar vem meu joío afogar
E o meu trigo que furtivo caça moiro rumo ao perigo
Quero sussurar que te quero quero lamber o teu ouvido
Quero morder teu coração quero que mordas meu que é teu
És o deserto que avança e o oásis da cidade
És a sombra que me persegue e o luto que já morreu
Meu orgulho tão rasgado nos amores sem idade
Nas águas do teu olhar vi morrer meu ser ateu
E contudo tão no fundo soube a acre ser saudade
Afinal és desigual mar de ti marginal
Afinal há distância o mesmo perigo a mesma ânsia
Cal da pele não é mel é sangue de si mais espesso Ó fel
O Amor azul e o amor vermelho
O amor entre uma barata e um escaravelho
quem me dera ter dedos para te tecer
quem me dera ter dedos para te entreter
quem me dera ter braços para te abraçar
quem me dera ter braços para te amaciar
Teus cabelos são os laços que me unem
Seus fios inenterruptos o destino do Homem
Se o Sol me tisnar que nasçam ourados
Se a pele me findar que se inicie o maior dos ciclos
Não há olhos nem cara há um terçolho apoteótico
Não há cara nem leque há um cobertor de verdade
Não há verdade nem mentira há só Eu e Tu
XX / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Shrine
His fingers sweep his tangling broom
And so far away the ocean cries
The single thought of the ocean
Makes his eyes bleed the staring skies
Crystal clear shall his crystal vision be
Standing tall amid the iron breakers
Lying so dead beneath the tide
Crawling crab, call my bride
You know our taste is burning wild
I know I can never let you run free
Shattered you are and me all there's pride
Can't let you slide trough my rusty hands
Not when the sand of your eyes lie
All my being's struggling to survive
Now that I sway o'bride o'mine
Now that your body is my whol'shrine
XV / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
And so far away the ocean cries
The single thought of the ocean
Makes his eyes bleed the staring skies
Crystal clear shall his crystal vision be
Standing tall amid the iron breakers
Lying so dead beneath the tide
Crawling crab, call my bride
You know our taste is burning wild
I know I can never let you run free
Shattered you are and me all there's pride
Can't let you slide trough my rusty hands
Not when the sand of your eyes lie
All my being's struggling to survive
Now that I sway o'bride o'mine
Now that your body is my whol'shrine
XV / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
O REINO (e a magia)
- Oh puto anda cá! (Hey kid come here!)
- Queres comprar magia ou não queres comprar magia? (You want to buy some magic or not?)
na vida não há meios termos
nem para os odores ou até mesmo para a magia
quem cheira branca cheira sempre bem
quem gosta de fruta há-de sempre fumar ervilhas
passo a passo lento0
dedo a dedo docemente
dormito no divã
meus braços, hirtos
abertos como os de Jesus
Picados, macerados
a agulha perfura-lhe a crosta
o prego perfura-lhe a mão
O prego martela-lhe a cabeça
A cabeça martela-me o prego
A carótida conseguiu entesar-me sem tesão
já nada sei, nada que não esteja aqui
Esta Coroa, este Reino
Sirvão o poder quando o poder é Maior
Sirvão os serventes que é dos serventes que vem o poder
Obedeção a tudo quanto comerem desde que também vos comam a vocês
Temos muitos habitantes, muitos espaços
olhos baços, polícias e palhaços
somos o império da memória
somos os descendentes do império
do império dos sem memória
o paulo portas tem sida
o gaspar teve uma overdose
e o cavaco tem alzheimer
A Coroa são os espinhos
Três coroas de desatino
Este peso não é meu
Saboreei-o ao caramelo dos Homens e do Mundo
Agridoce como tudo quanto é doce
Mas fluído tão fruído tão doce
Há muito mais sobre o Céu e a Terra do que imagina a tua vã filosofia Horácio
Da água do Mar e dos Seus peixes
sou filho Dele, somos todos filhos Dele
XIII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
WHAT ABOUT DEM BEANS ??
Dá-me daqueles feijões
Dos vermelhos e dos sem cor
A transparência tornou-se causa
Os tremoços ganharam furor
Se vinte e um é século e meio
O futuro é corvo que ri
Do negrume de calar a noite
Do machado disfarçado da foice
E os filhos que já nem nascem?
Dos pais que não serão
E as cearas que já nem crescem?
E os Homens que já nem vão?
VIII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Dos vermelhos e dos sem cor
A transparência tornou-se causa
Os tremoços ganharam furor
Se vinte e um é século e meio
O futuro é corvo que ri
Do negrume de calar a noite
Do machado disfarçado da foice
E os filhos que já nem nascem?
Dos pais que não serão
E as cearas que já nem crescem?
E os Homens que já nem vão?
VIII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
The City gets High on Paranoia
The concrete floors rise like skies
The blue orchids lie around
high heels short skirt we all know the sound
And while you're thinking of what to say
The wolves the dawn comes out to play
The crushed plastic the melted glass arrives shore
The night is graceless shivering child trough the wilderness
The though of it makes me wanna scramble some eggs
And pour some leite creme over it
O arroz doce do teu vinagre
Sobra sempre para a feijoada
As ruas estão cheias as pessoas estão cheias
O declive da subida, 4 ruas na colina
O cabedal endurecido tão rijo como o ouvido
O som estrondoso maquiavélico patético
A rima corria, sangria, a onda e a praia
Maldita sudumita crioula bonita
O bar de xadrez à ordem do freguês
O barman maltês o piano e o francês
O choque tão choque tão inesperado toque
O cabelo tão vermelho quanto os olhos do meio
Trajava a ceara pele de camelo e gafanhoto
Se não os comia guardava para almoço
Arrotava arrojava entrelaçava a cidade
A palmada tão bem dada tão carente que ela tava
Um abraço, dá-me espaço, dá-me poder de embalo
Carência elouquência tão fácil tão ourado
O Bairro dos bairros senão isto é um assalto !!
Baixa rebaixa avenida da esquina
Lisboa tão boa carece de proa
que cante que encante que alcance o nii plange
a alegria o aborto o cáspio tremoço
o caviar o enrabar o cardar até estourar
tanta estória sem história sem fuga nem glória
Cassete epilépte imagem que disterce
o lixo a escumulha onde mija a gandaia
its so true that the wood tells the man what to do
hes so true hes so blue that he only thinks of cu
gave me boner & took me boner & took me heart & took me money
think its funny & think its tranny & think its mtfkin bunny
up the stairs & down the stairs & we'll be selling tupperwares
call the elevator & remove the Escalator & take a shower & thank the waiter
now u smilin now u cryin now your ass's inside a truck
gonna cut you gonna roll you in a banana spring roll
now u see me now u dont now im rolling up a joint
dont you know didnt you know we call the fingers by their toes
ISpeed IClone i lift i owned these walls are so tight like lightning we'll strike
cut leaf, my own, own grown, ki son kizomba
a bunda da júlia cantada é paracetamol
bebé indonésio fuma 40 cigarros p/ dia
tiger found dead in the cage
rolling two joints gives you cancer
and growing two nuts is good for veggies
wicked insidious prick of son !!
the warm wood is waiting beside the divan
bring it quick and bring it fast
you know we weren't built to last
XII / II / MMIV
Luís Alves Carpinteiro
È TEMPO
Fui serpente em busca de Eva
Quando eu próprio crio eu próprio mato
Fui pele de carneiro e fome de gafanhoto
Quando eu próprio crio eu próprio mato
Rugiu o Manel do Anonimato
De uma rã, de um sapo
Divinas cores. laranjas odores
en México se habla en español ese
mucha borracheria, pero sólo la tequilla
nos hace bailar y cantar como en los viejos tiempos
O verde o verde o verde o verde
O vermelho vermelho vermelho vermelho
Carece a carícia de carpa malícia
Dos olhos que pastam e os anos que tragam
Mordido o ruído que roí o ouvido
Castigo assumido, crioulo atingido
Rasgar o luar, bater o sino, embroar
Cachimbo, tão lindo, subindo assíduo
Ao vento, ao tempo. surpreende? às vezes
Sabendo que no tempo me cria
Sabendo que no tempo me mata
XII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
Quando eu próprio crio eu próprio mato
Fui pele de carneiro e fome de gafanhoto
Quando eu próprio crio eu próprio mato
Rugiu o Manel do Anonimato
De uma rã, de um sapo
Divinas cores. laranjas odores
en México se habla en español ese
mucha borracheria, pero sólo la tequilla
nos hace bailar y cantar como en los viejos tiempos
O verde o verde o verde o verde
O vermelho vermelho vermelho vermelho
Carece a carícia de carpa malícia
Dos olhos que pastam e os anos que tragam
Mordido o ruído que roí o ouvido
Castigo assumido, crioulo atingido
Rasgar o luar, bater o sino, embroar
Cachimbo, tão lindo, subindo assíduo
Ao vento, ao tempo. surpreende? às vezes
Sabendo que no tempo me cria
Sabendo que no tempo me mata
XII / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
The Yellow Sense of the World
Those where the days
The yellow sense of the world
The crying wool cried his wolf
The shining sun ruled the world
The sound of steps was nuissance
The pour of sweat was useless
Crow Corvette was bulletproof
And part of me was bionichal
It's all so fkin useless anyways
As times goes by
The tears you'll dry
Can't sing boom bye bye
The popcorn's frying and I know Jack pie
XI / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
The yellow sense of the world
The crying wool cried his wolf
The shining sun ruled the world
The sound of steps was nuissance
The pour of sweat was useless
Crow Corvette was bulletproof
And part of me was bionichal
It's all so fkin useless anyways
As times goes by
The tears you'll dry
Can't sing boom bye bye
The popcorn's frying and I know Jack pie
XI / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
ALLEGRO
Hopefully I'm able to climb through the wall
And get rid of this Malware Gutter Mouth
I know there's a taste of me in heaven
A distinguish guest in a humble house
Troubling the peace of the innocent kind
Drinking the juice of the Earth !
I need to leave
I long to stray
Summertime is willing to pay
A round of children through a play
A round of bullets go astray
Minutes, sounds of nimbling tide
Sends the Millers through their pride
In the cabinet stinging wild
There's a pilot and his bride
He bites her niples, climbs her side
Turns her around and slaps behind
Should he turn the fox inside
Or should I slide across you swine
The games are loaded, loaded guns
The maths are crazy as fast as the sun
The header is crime to good for wine
Allegro, Milagro, suíno e petardo
XI / II / MMXIV
Luís Alves Carpinteiro
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Se cair da janela...
Se cair da janela
E engrossar as pedras à calçada
Não será luz o fogo da vela
Não serão água as minhas lágrimas
Uma pasta rúbia toda ela sem querer
Amolga o osso e espreme empada
Quem és tu? Quem de quê?
Eles querem tudo que não são nada
Aos mundos lhes resta o acocorar
A hóstia colada ao Céu da boca
A cúpula ao templo hão-de pintar
De outra cor que a sua é frouxa
E essa tinta que lhes inunda o coração
Seus violinos de tingir roupa
Em caso de gangrena amputar a mão
Cortar as cordas que a voz é rouca
XXIV / V / MMXIII
Luís Alves Carpinteiro
E engrossar as pedras à calçada
Não será luz o fogo da vela
Não serão água as minhas lágrimas
Uma pasta rúbia toda ela sem querer
Amolga o osso e espreme empada
Quem és tu? Quem de quê?
Eles querem tudo que não são nada
Aos mundos lhes resta o acocorar
A hóstia colada ao Céu da boca
A cúpula ao templo hão-de pintar
De outra cor que a sua é frouxa
E essa tinta que lhes inunda o coração
Seus violinos de tingir roupa
Em caso de gangrena amputar a mão
Cortar as cordas que a voz é rouca
XXIV / V / MMXIII
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 11 de maio de 2013
CARNE ANIMAL
Recorda-me mar dos dias mar
Embala-me teu cristal como és berço
Sente-me colosso engoles as arribas
Brada à montanha tua alga é vida
Estripa sereias sobre ti cantarei
Como tu e ti tão mortal
Como tu e ti tão inexpugnável
Só mar abisma mar, mar de ti marginal
Cessas silêncio lágrimas correndelas
São lágrimas são sal são carne animal
Luís Alves Carpinteiro
XXI / V / MMXIII
Embala-me teu cristal como és berço
Sente-me colosso engoles as arribas
Brada à montanha tua alga é vida
Estripa sereias sobre ti cantarei
Como tu e ti tão mortal
Como tu e ti tão inexpugnável
Só mar abisma mar, mar de ti marginal
Cessas silêncio lágrimas correndelas
São lágrimas são sal são carne animal
Luís Alves Carpinteiro
XXI / V / MMXIII
segunda-feira, 6 de maio de 2013
7 decoiros
Se lhe colero o pechisbeque aos oiros
Logo se lhe despem os sete decoiros
Os seus tesoiros, sedentos são peloiros
Suas zircónias malfeitórias, são ritos são estórias
São a esgrima faminta que rapina mil memórias
Seus olhos me melam, seus lábios me cercam
Seus seios me afagam, seu seio me devoram
Se sua pele me dilaceram, seus punhos me cerram
Não me recordo contudo do destino das partes
Não me recordo contudo do circo e das artes
Recordo-me do azeite, do fel, do oceano a meia-haste
Recordo-me sim do oceano, azul como o deixaste
Luís Alves Carpinteiro
Logo se lhe despem os sete decoiros
Os seus tesoiros, sedentos são peloiros
Suas zircónias malfeitórias, são ritos são estórias
São a esgrima faminta que rapina mil memórias
Seus olhos me melam, seus lábios me cercam
Seus seios me afagam, seu seio me devoram
Se sua pele me dilaceram, seus punhos me cerram
Não me recordo contudo do destino das partes
Não me recordo contudo do circo e das artes
Recordo-me do azeite, do fel, do oceano a meia-haste
Recordo-me sim do oceano, azul como o deixaste
Luís Alves Carpinteiro
domingo, 5 de maio de 2013
POÇO (Well)
Silencioso me assento esperando minha vida
Sibiloso espero que ma tragam
Que outros ma tragam?
Que outros ma vivem?
Meus destroços alguém espalhou de maldade
Recolheu os que quis
Rapinou os que quis
Os que não quis deixei ir
E agora nada sei
Não me recorda de querer o que quis
Não me recorda de dar o que dei
As minhas funestas cobiças
São saudades, trindades, agonias
São minhas cadentes alegrias
Venenos do espírito meu
Pelos quais me conduzi sem nada conduzir
Nem o vento, nem o tempo, nem nada
Não penso muito não
E o que pensei não me atrevo a pensar
Sempre e outra vez
Me tombo nesse poço tão fundo
Sonoro espinhoso, é certo
Mas meu par sem par tão fundo
Luís Alves Carpinteiro
Sibiloso espero que ma tragam
Que outros ma tragam?
Que outros ma vivem?
Meus destroços alguém espalhou de maldade
Recolheu os que quis
Rapinou os que quis
Os que não quis deixei ir
E agora nada sei
Não me recorda de querer o que quis
Não me recorda de dar o que dei
As minhas funestas cobiças
São saudades, trindades, agonias
São minhas cadentes alegrias
Venenos do espírito meu
Pelos quais me conduzi sem nada conduzir
Nem o vento, nem o tempo, nem nada
Não penso muito não
E o que pensei não me atrevo a pensar
Sempre e outra vez
Me tombo nesse poço tão fundo
Sonoro espinhoso, é certo
Mas meu par sem par tão fundo
Luís Alves Carpinteiro
sábado, 20 de abril de 2013
FANTASMA (Ghost)
quero divagar,
deambular,
azarar,
quase que me esqueço,
se a realidade não meço,
quando minha carne não tem preço.
Essas ruas,
são de ninguém,
quem as tem?
alguém, eu não.
Não quero mais julgar,
essa fortuna, esse azar,
que me esvazia, gota a gota.
Tortuosa existência,
ser dono dessa "sapiência"
me chega estéril, infrutífera.
Sou cego do meu ser
Sou cego e não quero ver
Sou aquele que nunca foi
Fantasma e não se decompõe
Luís Alves Carpinteiro
XVII / IV / MMXIII
quarta-feira, 17 de abril de 2013
SOUL
You were
yet so...
beautiful...
The clean and uncut
blackness
of your eyes.
Always we'll fly,
forever you'll lie
down
in the darkness
that'll cover
always
our lesser sky.
Whatever you need,
to shake me,
and shake me lightly,
yet so...
mine...
Luís Alves Carpinteiro
XVII / IV / MMXIII
yet so...
beautiful...
The clean and uncut
blackness
of your eyes.
Always we'll fly,
forever you'll lie
down
in the darkness
that'll cover
always
our lesser sky.
Whatever you need,
to shake me,
and shake me lightly,
yet so...
mine...
Luís Alves Carpinteiro
XVII / IV / MMXIII
segunda-feira, 15 de abril de 2013
xxx (três fuscas)
Cruzes! É a purga de Judas! Chupa-chupa Satanás!
Crónico, creio que és, Barrabás!
Serás? Puta virlata virbilha trás! trás! trás!
Meigo é o leito da puta que te pariu!
Fluidez cervical que "crias" crias tu
Se mijo na horta e lá nascem coentros
Teu útero láfiquei
Poluídoxxx
XVI / IV / MMXIII
sexta-feira, 12 de abril de 2013
P.P.P.P.P.P. (dedos)
Era uma vez uma lança cadente,
dos sete mares fervente, se julgava dormente.
Furtou uma carta dulcinante,
retratava a lida dos livros na estante.
Nesta tarefa doméstica
limpava dos topásios a voz anestésica e os cardos dos rádios.
E se o pano panava dobrando
e o fígado camandro!
e o gato doirando-o?
O corpo tombava pamplonando,
to-mate se raiando,
seus pares se depilando.
A-mando, A-mando. FIM
Luís Alves Carpinteiro
XII / IV / MMXIII
sexta-feira, 29 de março de 2013
LUA NEGRA, LUA BRANCA
Lua branca, Lua negra
Dá-me um pedaço dessa febra
Quero teu corpo para conspurcar
Teus seios para descarnar
Descobrir tuas mil máscaras de cetim
E outras mais trágicas e obscuras
Atemorizar tuas noites inseguras
De quando premonizas o nosso fim
Alimentar-me da tua maldade
E rapinar o teu descontentamento
Luís Alves Carpinteiro
quinta-feira, 28 de março de 2013
GWEN
Levanta o volume da rádio
Refunde no decote o gládio
A sala é luxuriosa
Sua mobília é idosa
O candelabro alarma mofino
Se caio mato o menino
O biombo esconde-me da sua beleza
De me deixar de picha tesa
Seus fios são de oiro de ofuscar
Estala tisnada a pele em queimar
Como os seus seios são rosas
O seu rubor nunca me foge aos lábios
As suas pernas sobranceiras torres são
Tão desdenhosas quanto o seu coração
Quando o sinto vermelho palpitar
O meu se rende ao seu suplicar
Luís Carpinteiro
XXVIII / III / MMXIII
![]() |
terça-feira, 26 de março de 2013
Pó da História
Antes a morte na minha vida
Do que a vida na minha morte
Antes a alma da noite erguida
Do que o dia como doseador de sorte
Como ela a aufere tão fria e aleatória
Eu que a supere para além da vitória
Vitória, essa, que não trará glória
Efémera, esquecida, no pó da história
Luís Alves Carpinteiro
XI / III / MMXIII
segunda-feira, 25 de março de 2013
SOLDADO DO VENTO
Num mundo a preto e branco
O verde soa a pranto
E o amarelo é a cor da pele
Qual a Rainha do Reino do Fel
Milagre seria se fosse branca
Andrajosa fosse a perna manca
Que se revolve em estalidos metálicos
Cambiando as datas por números itálicos
Sendo redigido algures no efémero tempo
Com a celeridade do Soldado do Vento
Corpos marcham, desembainham baioneta
Do sangue célere, a sua silhueta
Morrem, culpam tudo ou nada
É só mais uma cascavel na estrada
sábado, 23 de março de 2013
O TRISTE FADO DO HOMEM-FOGUETE
Ao passo que se esfumaça mais um dia
Rá em nascer beija-nos a face
Se houver presa que se cace
Reza às Moiras para que haja banquete
Triste fado este o de incandescer como um foguete
Usurpa-me os olhos a boca e a língua
Apossando-me de falcão engaiolado
Na sua hélia gravateria enforcado
Triste fado o do Homem
Nascer morrer e os vermes o comem
Luís Alves Carpinteiro
sexta-feira, 22 de março de 2013
VELHA CIDADE (Old City)
Se o poeta é um fingidor
Então o poetastra é um mentiroso
Canta como mente
Vive como finge
Chega mesmo a fingir a dor
Dor essa que o encharca até ao osso
Como essa dúvida que o atormenta
Extinguirá ele da cândida luz sua patriarca vida
Ou morrerá ele primeiro da hedionda mentira?
Dessa dúvida, dessa desonra, nasce o verso que logo se lhe tomba
É verdadeiro em não ser verdadeiro, não é brejeiro em ser brejeiro
Quanto mais miserável e indigesto cair, supra triunfante há-de ascender
Do sangue, às tripas, do sexo até à verdade, nunca foi sua a vil maldade
Vil maldade que de tão abjecta o zomba
Lhe leva o maculado sangue e o esquálido dinheiro
Mescla a espessa massa que lhe aufere todo o poder
Poder sobre a maquia, dos rugosos chulos às putas da idade
E ele o seu mais "honrado" cliente
O da picha alçada e da carteira dormente
Chamá-lo-ão em decrépita saudade
"Quando voltas à velha cidade?"
Luís Alves Carpinteiro
XXI / III / MMXIII
quinta-feira, 21 de março de 2013
CIDADE DO AMOR (City of Love)
Nas pútridas margens do teu olhar
Revejo as saliências e as indulgências do teu (a)mar
Que me cegam no fétido ardor
Que exalo da bosta que me fazes sentir!!!
Quando as sardas me picam o rubor ao sangue
Corre a nascente sem nada decidir
Enquanto me percute a pele do tambor
As bombas me ribombam ao demolir
Semeando etereamente a semente do horror
Cortando as pernas à terra onde se fazem expandir
Tudo queima, o bem-estar alcança
Quem morre é o tédio, o perene tédio que lança
Às torres aos castelos da Cidade do Amor
Onde as belas ninfas se copulam sem pudor
Como este poeta que jaz agora sem cor
O meu amor vai-te induir
As cores que agora o tingem são incolores
Meus fantasmas deslavados que urrem de dores
Luís Alves Carpinteiro
XX / III / MMXIII
quarta-feira, 20 de março de 2013
CIUDAD DE MéXICO
Entregues às larvas e aos percevejos
Dos chás de tília aos licorosos de poejos
Olha só como ela balança
Ginga triunfante a dança que a cansa
Trespassava-a possessiva a lança que a amansa
Seu corpo vibra sobre contornos deliciosos
Recheados dos seus perfumes delicados e joelhos airosos
Do oiro que me encandeia eu bebo a bonança
Que alcança vingança nos dias chuvosos
Açambarca a cobrança que lhe revira os olhos
Do decote ao precipício tudo a encanta em suaves molhos
Uma mulher partilham por entre gemidos e espasmos epilépticos
Gemidos fingidos que pela tequilla os toma
Vigorosos e cambaleantes
Da linha lhes resta o cérebro frito no refogado
Seu vulto louco e embriagado
Que por vielas jaz no sono endiabrado
Que lhe trás as belas vistas das sequelas e prequelas do sentimento
No seu cipreste braço envergado
Lhe florescem umas poucas de "buñuelas"
Bem molhadas e bem viscosas
Lambidas das axilas e das mucosas
Das quais as avós sofriam o manto da opressão
Condenadas ao silêncio,
Ao temor,
E ao obscurantismo,
Uma inteira sociedade abeirada do abismo
A veia marcada do absolutismo
Que devora gerações envoltas em misticismo
Da sátira ao drama se desenrola a catarse do sentimento
A farsa que encarcera la vida sombrera
Do bigode ao poncho tudo se tolera
Até uma serpente no sapato de um bandolero violento
O curso das águas arrasta um druida agoirento
Que premoniza a guerra instigada pela fera
Gula simula o sicaro sicário
O romano que o afoga afogado em pecado
A faca que mata virada ao contrário
O sangue que esguicha do peito grelado
Que cai e ribomba bombando del cielo
Troveja o catado que cata do vento
Luís Alves Carpinteiro
IXX / III / MMXIII
![]() |
terça-feira, 19 de março de 2013
TERRA DOS LIVRES (LAND OF THE FREE) / CASA DOS CegoS (HOME OF THE BLiNd)
Enterrai os vosso próprios mortos
Graças a Deus que existe alternativa para a vida
O sem alternativa destino dita vivê-la sofrida
Se quiserdes comer tendes de pagar
Quanto mais podeis aguentar?
Se eu possuísse visão já jazíeis morta
Quanto mais podeis aguentar?
Terra dos livres (LAND OF THE FREE)
Casa dos cEGOs (HOME OF THE BLiNd)
Aglomerem os vossos valores
Ouro, prata, bronze ou cobre
Entreguei-vos o meu corpo por piedade
Corpo gótico tecido dessa saudade
Com que pescastes o único peixe que houvera já sido pescado
Com que secastes a única ribeira que padecia já sem peixes
E quando a maré para o mar recolhe?
Será a vida do peixe ou do mar que o acolhe
Dos caranguejos, das algas, dos tubarões que lá nadem
Será o mar do mar quando lhe caem
Os esquálidos dentes,
Os gangrenados olhos,
E as leprosas orelhas,
Só Neptuno pelo seu conclave detém o poder de repor a regência do mar pelo mar
E só quando o mar recuperar soberania sobre seu próprio território
Será realmente livre a terra dos livres
Luís Alves Carpinteiro
IXX / III / MMXIII
domingo, 17 de março de 2013
NOTA$$$
Aquela que se auto intitula "nota"
É sem sombra para dúvida a mais pérfida
É cruel para quem a nota
É letal para quem a julga vida
Aos estrondos da sua cria
Que julga trilho qualquer via
Virá depois da ira apátrida
Traçada pela beira recolhida
Se der a febre regícida
Que seja banhada em estricnina
Se ao valor chamar dinheiro
E à moeda chamar coroa
Que o valor lhe chegue à toa
Quando o auferir o sapateiro
E se um dia o souberem contar
Que por meio do peso lhes seja valioso
Pois até um bípede tinhoso
Sabe seu osso receber e dar
Da carne, às lesmas, às verjeiras pútridas
Que ao Deus da caça sabem aprazer
De rituais antigos às caçadas espermícidas
Gira o mundo que agora podes ver
Se a nota é papel das árvores cadente
Então a moeda é o chumbo da lage das lágrimas
Meteoro apoteótico a dEUs temente
Do caixão do seu irmão se viram as páginas
Deveras alquimia recente a quente
Deixa marcas profundas no seu crivado peito
Sacrifica o respeito pelo despeito
O lagarto furtado omnipresente
Na sua jornada vai do gargalo inconsequente
Do charro à garrafa tudo entra sem licença
Metamorfizando a ira e a independência
Volta em força o de Olivença
Do oiro aos oiros da lata
À prata que engana o ourives
Se não fugires pelo menos que te esquives
Faz do castelo lar de ferro na cubata
Se ao escravo o oiro não coçava
E da labuta não se cansava
O que será o oiro para o rico
Um guardanapo ou um penico?
Se da guerra os Homens vivem
Então da morte eles colhem vida
Se na trincheira eu fui ermida
Ressurreição em vida fingida
As minhas mãos e os meus pés preguem
Como Jesus pregou os seus
Do sangue e dos pregos insurgem os meus
Que me cortem, que me dilacerem
Luís Alves Carpinteiro
XVII / III / MMXIII
quinta-feira, 14 de março de 2013
LUíS VAZ DE (rojões)
Por entre mares encrespados eu naveguei
Na vida mundana eu mergulhei
Que triste fado!
O de incandescer (como uma vela) ascendente
A dúvida que atemoriza o crente
O cadáver massacrado do delinquente
Será verdadeiro quem não mente?
Por giestas púrpuras eu cabalguei
Na vida sem beira eu sufoquei
Oh mar! Meu grande amigo mar!
Apresento-te o meu estimado amigo
Luís Vaz de Rojões
Que rima entre relâmpagos e palpitações
Que para comer persegue trovões
Eu sem heterónimo
Sou vil que desmancha em crómio
Eu sem heterónimo
Sou speed para o teu neurónio
Eu sem heterónimo
Dá o beat que eu rebento em ódio
Eu sem heterónimo
Esquizotrónimo, drugs
Bento Pessoa
Luís Alves Carpinteiro
XII / III /MMXIII
Subscrever:
Mensagens (Atom)












.jpg)